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terça-feira, 27 de junho de 2017

27de Junho de 1942: O grupo de resistência anti-nazi, Rosa Branca, inicia a sua acção


A partir de 27 de Junho de 1942, nas caixas de correio de grandes cidades do sul da Alemanha e da Áustria, começaram a ser distribuídos panfletos contra o regime nazi pelo movimento de resistência "Weisse Rose".


O Rosa Branca (Weisse Rose), actuante em Munique e em Hamburgo, foi o movimento de resistência de jovens alemães mais conhecido durante o Terceiro Reich. O seu núcleo era formado por universitários de 21 a 25 anos de idade, entre ele os irmãos Hans e Sophie Scholl, Alexander Schmorell, Willi Graf e Christoph Probst.

Os panfletos, que começaram a ser distribuídos nas caixas de correio de intelectuais dos grandes centros na Baviera e na Áustria, condenavam a resistência passiva contra a guerra e a opressão intelectual pelos nazis. Os textos revelavam o alto nível cultural dos seus redactores e apelavam a valores religiosos.

Nos quatro primeiros panfletos, distribuídos entre 27 de Junho e 12 de Julho de 1942, foram usados em profusão trechos apocalípticos da Bíblia. Os dois últimos folhetos, entretanto, tiveram um estilo completamente adverso. Em linguagem directa, apresentavam planos concretos para a Alemanha pós-guerra, dirigindo-se a todas as camadas da população.

A morte de 300 mil alemães na batalha de Estalinegrado, em Fevereiro de 1943, representou uma reviravolta na Segunda Guerra Mundial. A primeira derrota alemã alimentou a resistência em todas as cidades europeias ocupadas pelos nazis e ao mesmo tempo chocou a população do país.

 A estratégia  do grupo Rosa Branca era redigir os textos em máquinas de escrever, copiá-los e enviá-los pelo correio a partir de cidades diferentes.

Descobertos enquanto depositavam as suas mensagens nos corredores do prédio principal da Universidade de Munique, os irmãos Hans e Sophie Scholl foram presos pela Gestapo, a polícia política de Hitler.

Foram julgados no dia 22 do mesmo mês. Em pouco mais de três horas de julgamento, foram condenados à morte e executados no mesmo dia. Os demais membros do grupo de resistência Rosa Branca de Munique foram executados após julgamentos sumários, entre Abril e Outubro de 1943.

O objectivo dos panfletos era abalar a confiança dos alemães no Führer, despertar ao menos um mínimo de dúvidas sobre a veracidade da propaganda feita pelo regime e alimentar eventuais células de resistência no próprio povo alemão. O movimento surgiu menos de uma ideologia política e mais da indignação com a forma como os alemães aceitavam o nazismo e a guerra feita em seu nome.

A coragem dos membros do Rosa Branca ficou conhecida em toda a Alemanha ainda no decorrer da Segunda Guerra. O escritor Thomas Mann reconheceu os seus méritos publicamente, numa entrevista transmitida pela BBC no dia 27 de Junho de 1943. Reproduções do último panfleto da resistência estudantil, feitas na Inglaterra, foram lançadas pelos aviões britânicos sobre território alemão.

Durante o segundo semestre de 1943, a Gestapo descobriu em Hamburgo um grupo de resistência que divulgava os panfletos do movimento de Munique. Dos 50 participantes, oito universitários foram condenados à morte: Hans Konrad Leipelt, Greta Rothe, Reinhold Meyer, Frederick Gaussenheimer, Käte Leipelt, Elisabeth Lange, Curt Ledien e Margarete Mrosek.

Fontes: DW
wikipedia (imagens)


Hans e Sophie Scholl , selo de 1961 da RDA

Willi Graf

27 de Junho de 1905: Revolta da tripulação do couraçado Potemkin em Odessa.



Depois da sua  derrota em Tsushima, um mês antes, diante da armada japonesa, a marinha do czar Nicolau II foi agitada por movimentos diversos de contestação e os oficiais tiveram dificuldade em ser respeitados pelos marinheiros. Em terra, por todo o país,  multiplicavam-se greves e rebeliões após o “Domingo Sangrento” de 22 de Janeiro de 1905 em São Petersburgo.

Sobre o couraçado Potemkin, que levava o nome de um favorito da czarina Catarina II, o comandante capitão Golikov, conseguia preservar a disciplina através da forma como lidava com os seus homens.

Enquanto realizava exercícios no Mar Negro, ao largo de Odessa, o couraçado era reabastecido como de costume com provisões. Ao início da manhã do dia 27 de Junho de 1905, os marinheiros aproximaram-se das carcaças que pendiam sobre a ponte esperando servir-se, quando descobrem a carne em putrefação, fétida e infestada de vermes. O médico de bordo, doutor Smirnov, sentencia que a carne seria comestível depois de lavada com vinagre.

Chega a hora do almoço. No refeitório, os cozinheiros apresentam a referida carne cozida. Os marinheiros recusam-se a comer e vaiam os cozinheiros. Alertado, o capitão tem a má ideia de mandar rufar tambores e reunir a tripulação sobre a ponte. Depois de breves palavras, pede àqueles que aceitam comer que avancem dois passos. Por hábito e resignação, somente alguns veteranos obedecem. Sentindo-se afrontado, o capitão anuncia que não teriam outra coisa para comer.

Entre a tripulação figuravam alguns militantes revolucionários do partido social democrata como o seu líder, Afatasy Matiuchenko. Eles haviam recebido do seu partido a indicação de preparar os marinheiros para uma insurreição geral da frota do Mar Negro.

Um marinheiro, de nome Vakulinchuk, teria protestado junto do capitão contra as condições de vida da tripulação. O capitão saca do seu revólver e fere mortalmente o marinheiro.

Arrastada por Matiuchenko, a tripulação amotina-se. Oito oficiais resolvem juntar-se aos amotinados, contudo, o médico e outros oficiais são mortos e atirados ao mar. O comandante não foi deixado de lado. Um oficial, Alexeiev, prende-o sob vigilância de Matiuchenko.

Os amotinados içam a bandeira vermelha da revolução e dirigem o couraçado até ao porto de Odessa. Ao entrar no porto, ao final da tarde, os marinheiros do Potemkin não sabiam que a lei marcial havia sido decretada pelo general Kokhanov como resultado das greves operárias.

Na véspera, 26 de Junho, uma manifestação havia sido reprimida pela polícia e a cavalaria cossaca. O confronto sangrento entre os manifestantes e as forças da ordem, com centenas de mortos, prosseguiu no dia seguinte. E eis que surge o Potemkin. A chegada do navio arrebata os líderes da greve que sobem a bordo e aliam-se aos chefes dos amotinados. No dia seguinte, o cadáver do marinheiro Vakulinchuk é trazido a terra. Recebe homenagem emocionada de uma imensa multidão de operários e revolucionários.


A multidão excitada sobe a escadaria de 240 degraus que liga o porto ao centro da cidade. O general Kokhanov acciona dois destacamentos de cossacos a cavalo. Do alto da escadaria, os cavaleiros massacram a multidão desarmada, fazendo centenas de vítimas, homens, mulheres e crianças.

Matiuchenko, respondendo a uma proposta de Kokhanov, assegura que os funerais dos mártires decorreriam sem sobressaltos se não ocorresse repressão. Todavia, após os funerais, soldados investem contra a multidão matando indistintamente homens e mulheres. Três marinheiros estavam entre as vítimas. A bordo do Potemkin, os marinheiros decidem bombardear o quartel-genenal instalado no teatro da cidade. Matiuchenko comanda a operação que só atinge casas habitadas por inocentes, resolve então suspender o bombardeio.

O navio solta as amarras. Barcos de guerra vindos de Sebastopol pedem que os amotinados se tranquilizem. Os oficiais mostravam-se temerosos do risco de “contágio” revolucionário.

Prudentes, os oficiais resolvem recuar, porém o couraçado Jorge o Vitorioso encontra um modo de se aproximar do Potemkin. Matiuchenko vê-se frente e frente com três navios de guerra. Resolve voltar a Odessa com o objectivo de conseguir o apoio da população, mas é impedido por um dos navios. 

Matiuchenko ordena abrir fogo. Atingido,  Jorge, o Vitorioso acaba por encalhar num banco de areia antes de voltar ao combate.

Após errar pelas águas do Mar Negro, o Potemkin dirige-se ao porto romeno de Constança onde os amotinados conseguem asilo político. 

Dois anos mais tarde, o czar Nicolau II promete uma amnistia aos revolucionários de 1905. Os amotinados, desconfiados, preferem permanecer na Roménia. Com excepção de cinco deles que preferiram regressar à Rússia, entre eles Matiuchenko. Reconhecido na fronteira, é preso e depois enforcado. Os seus quatro companheiros foram enviados para a Sibéria.


Depois da sua  derrota em Tsushima, um mês antes, diante da armada japonesa, a marinha do czar Nicolau II foi agitada por movimentos diversos de contestação e os oficiais tiveram dificuldade em ser respeitados pelos marinheiros. Em terra, por todo o país,  multiplicavam-se greves e rebeliões após o “Domingo Sangrento” de 22 de Janeiro de 1905 em São Petersburgo.

Sobre o couraçado Potemkin, que levava o nome de um favorito da czarina Catarina II, o comandante capitão Golikov, conseguia preservar a disciplina através da forma como lidava com os seus homens.

Enquanto realizava exercícios no Mar Negro, ao largo de Odessa, o couraçado era reabastecido como de costume com provisões. Ao início da manhã do dia 27 de Junho de 1905, os marinheiros aproximaram-se das carcaças que pendiam sobre a ponte esperando servir-se, quando descobrem a carne em putrefação, fétida e infestada de vermes. O médico de bordo, doutor Smirnov, sentencia que a carne seria comestível depois de lavada com vinagre.

Chega a hora do almoço. No refeitório, os cozinheiros apresentam a referida carne cozida. Os marinheiros recusam-se a comer e vaiam os cozinheiros. Alertado, o capitão tem a má ideia de mandar rufar tambores e reunir a tripulação sobre a ponte. Depois de breves palavras, pede àqueles que aceitam comer que avancem dois passos. Por hábito e resignação, somente alguns veteranos obedecem. Sentindo-se afrontado, o capitão anuncia que não teriam outra coisa para comer.

Entre a tripulação figuravam alguns militantes revolucionários do partido social democrata como o seu líder, Afatasy Matiuchenko. Eles haviam recebido do seu partido a indicação de preparar os marinheiros para uma insurreição geral da frota do Mar Negro.

Um marinheiro, de nome Vakulinchuk, teria protestado junto do capitão contra as condições de vida da tripulação. O capitão saca do seu revólver e fere mortalmente o marinheiro.

Arrastada por Matiuchenko, a tripulação amotina-se. Oito oficiais resolvem juntar-se aos amotinados, contudo, o médico e outros oficiais são mortos e atirados ao mar. O comandante não foi deixado de lado. Um oficial, Alexeiev, prende-o sob vigilância de Matiuchenko.

Os amotinados içam a bandeira vermelha da revolução e dirigem o couraçado até ao porto de Odessa. Ao entrar no porto, ao final da tarde, os marinheiros do Potemkin não sabiam que a lei marcial havia sido decretada pelo general Kokhanov como resultado das greves operárias.

Na véspera, 26 de Junho, uma manifestação havia sido reprimida pela polícia e a cavalaria cossaca. O confronto sangrento entre os manifestantes e as forças da ordem, com centenas de mortos, prosseguiu no dia seguinte. E eis que surge o Potemkin. A chegada do navio arrebata os líderes da greve que sobem a bordo e aliam-se aos chefes dos amotinados. No dia seguinte, o cadáver do marinheiro Vakulinchuk é trazido a terra. Recebe homenagem emocionada de uma imensa multidão de operários e revolucionários.


A multidão excitada sobe a escadaria de 240 degraus que liga o porto ao centro da cidade. O general Kokhanov acciona dois destacamentos de cossacos a cavalo. Do alto da escadaria, os cavaleiros massacram a multidão desarmada, fazendo centenas de vítimas, homens, mulheres e crianças.

Matiuchenko, respondendo a uma proposta de Kokhanov, assegura que os funerais dos mártires decorreriam sem sobressaltos se não ocorresse repressão. Todavia, após os funerais, soldados investem contra a multidão matando indistintamente homens e mulheres. Três marinheiros estavam entre as vítimas. A bordo do Potemkin, os marinheiros decidem bombardear o quartel-genenal instalado no teatro da cidade. Matiuchenko comanda a operação que só atinge casas habitadas por inocentes, resolve então suspender o bombardeio.

O navio solta as amarras. Barcos de guerra vindos de Sebastopol pedem que os amotinados se tranquilizem. Os oficiais mostravam-se temerosos do risco de “contágio” revolucionário.

Prudentes, os oficiais resolvem recuar, porém o couraçado Jorge o Vitorioso encontra um modo de se aproximar do Potemkin. Matiuchenko vê-se frente e frente com três navios de guerra. Resolve voltar a Odessa com o objectivo de conseguir o apoio da população, mas é impedido por um dos navios. 

Matiuchenko ordena abrir fogo. Atingido,  Jorge, o Vitorioso acaba por encalhar num banco de areia antes de voltar ao combate.

Após errar pelas águas do Mar Negro, o Potemkin dirige-se ao porto romeno de Constança onde os amotinados conseguem asilo político. 

Dois anos mais tarde, o czar Nicolau II promete uma amnistia aos revolucionários de 1905. Os amotinados, desconfiados, preferem permanecer na Roménia. Com excepção de cinco deles que preferiram regressar à Rússia, entre eles Matiuchenko. Reconhecido na fronteira, é preso e depois enforcado. Os seus quatro companheiros foram enviados para a Sibéria.


Fontes: Opera Mundi
wiipedia(imagens)

O couraçado em 1905

Matiuchenko, o líder da revolta

VÍDEO


Quem mente uma vez, mente sempre


(Por Estátua de Sal, 26/06/2017)
passos_burro
Que Passos Coelho era o rei dos aldrabões já era conhecido. Nada de novo. Chegou ao poder em 2011 prometendo o mel aos portugueses, e criticando as medidas austeritárias do governo de Sócrates, e deu-lhes quatro anos de medidas de fel, ao lado das quais a austeridade de Sócrates era coisa de brincar.
Que não tem limites morais na sua voracidade pelo poder também já se sabia. Para ele vale tudo, mesmo que seja apoiar o Arquitecto Saraiva no lançamento de um livro de mexericos sórdidos sobre a vida de personagens públicas, como se propunha fazer, só desistindo à última hora por indicação dos seus conselheiros mais sensatos.
O que não sabíamos é que pudesse ir tão longe como hoje, usando a desgraça alheia dos que morreram, e dos que ele julgou terem sido vítimas colaterais da tragédia dos fogos para atacar o governo e fazer da mais rasca política que se viu nas últimas décadas.
Passos, veio falar em suicídios causados pela amargura causada a alguns pelo terror da tragédia. Para ele, estes suicídios seriam culpa do governo e revelariam a ineficácia funcional do mesmo governo. Nada mais falso. Não houve suicídios nenhuns. Até ver e que se saiba. O mais grave não é Passos ter mentido. O mais grave é, se tivessem existido suicídios, ele usá-los como arma de arremesso político, esquecendo o sofrimento das pessoas e o desespero que as teria levado a esse fatal e funesto acto de acabar com a vida.
Passos é um amoral, uma espécie de amiba ética, um calhau de insensibilidade. Para ele vale tudo para regressar ao poder, vendeu o país à troika, vendeu os velhos à amargura, vendeu os novos à emigração, e venderá o pai e a mãe se preciso for para ser de novo primeiro-ministro.
E já agora, deve dizer-se que, se suicídios houve, muitos ocorreram sim, durante a governação pafiosa. De muitos que perderam o emprego, a casa, a família, os filhos e toda a vida organizada que tinham e não aguentaram as agruras dessa nova situação de penúria.
Mentiroso, amoral e por fim, incompetente. Não fosse a sofreguidão do poder que o faz salivar com a desgraça alheia desde que a possa usar em benefício próprio, Passos teria verificado previamente a informação, antes de se arriscar à humilhação pública de ser desmentido por toda a gente e de ter que se retratar. Mas a avidez retirou-lhe o bom senso e a pressão da cáfila laranja, cada vez mais impaciente, atirou-o para a frente imprudentemente.
Passos que se retire e que se cale. Que faça votos de silêncio e se afaste para o Convento do Sacramento, fazendo companhia a Cavaco,  onde este lhe arranjará, certamente, uma secretária e um cilício para se auto-penitenciar.
É que, quando Passos fala, ou entra mosca ou sai asneira. Como o fogo levou as moscas e tudo o mais, já nem moscas entram, só sai asneira.

PSD, o partido de sonsos


Fico sempre surpreendido com aqueles que acham que o PSD está a passar “por uma crise”. É preciso uma boa dose de ingenuidade, ou estar-se muito desatento, para se supôr que Pedro Passos Coelho está isolado numa qualquer demanda individual perdida e a lutar para “sobreviver politicamente”. Passos na liderança tem os dias contados desde que o PSD foi derrotado pelas suas próprias políticas, e ele, os militantes e os dirigentes do partido sabem-no melhor do que ninguém. A razão pela qual ainda não se demitiu, ou pela qual se arrasta penosamente contra os ventos e as marés negativas – o tal diabo que nunca chegou… – é algo que está muito para lá do calculismo e do imediatismo interno. Passos Coelho está, muito sonsamente, a cumprir um papel. Tal como Rui Rio.
É evidente que a “cama” de Rui Rio está a ser preparada. É evidente que Passos Coelho precisa daquele silêncio purificador de que beneficiaram os regressados Cavaco ou Guterres. O tempo de um e de outro precisa é de ser concertado, coordenado e conjugado, porque valores mais altos se levantam e a “clientela” – o capital – continua a precisar do PSD. Passos tem de aguentar o barco porque vem borrasca nas autárquicas; Rui Rio tem de esperar a noite de nevoeiro para aparecer de forma sebastiânica.
Ninguém no PSD estranha ou desconhece o esquema que está em curso. Não se ouvem, nem se ouvirão, críticas internas significativas a Passos Coelho, nem mesmo sobre esta sua recorrente pontaria de se enterrar todas as vezes que decide abrir a boca sobre o que quer que seja. A missão interna é muito clara: “ele tem de lá estar” e aguentar o embate inevitável das autárquicas. Tem de aguentar ainda o não menos violento embate do não-colapso do actual governo. E só quando o terreno estiver menos pantanoso, quando se achar chegada a ocasião política para novo “assalto” – e no caso do PSD é quase sempre literal – ao poder, lá virá Rui Rio e a sua carteira recheada de interesses fazer a “mudança” de que “todos precisavam muito”.
Este filme não é novo. Vimo-lo já no PSD, como vimo-lo já também no PS. Patrocinados e a reboque de certa imprensa, uns e outros mergulham oportunisticamente nestas tácticas sonsas e ludibriantes (para muitos). Um dia, tudo desembocará daquele que é, no fundo, o seu objectivo final. Com rostos aparentemente desavindos, aparentemente adversários, protagonistas de falsas lutas internas, todos acabarão por convergir naquilo que lhes é essencial: servir interesses, distribuir favores, cumprir promessas a banqueiros e a grandes empresários. Porque para estes, nunca o país esteve “tão bem” como quando para os trabalhadores esteve “tão mal”. E é preciso garantir que nada mude e tudo se “reforme”. Conforme.
Este artigo encontra-se em: Manifesto 74 http://bit.ly/2teyBku

abrildenovomagazine.wordpress.com

Passos Coelho põe-se debaixo de fogo alegando falso suicídio


Passos Coelho visitou ontem concelhos atingidos pelo incêndio que matou 64 pessoas e feriu mais de 200
Líder do PSD socorreu-se de boato para dizer que está a falhar a ajuda do Estado. Depois pediu desculpas
O foco sobre as responsabilidades na tragédia de Pedrógão Grande deixou ontem de estar apontado ao governo e passou a estar apontado ao líder do maior partido da oposição, Pedro Passos Coelho. Responsável: Pedro Passos Coelho.
Numa visita aos bombeiros de Castanheira de Pera (distrito de Leiria), o líder do PSD, para chamar a atenção para uma suposta ausência de apoio psicológico às vítimas do incêndio, afirmou: "Tenho conhecimento de vítimas indiretas deste processo, pessoas que puseram termo à vida, que em desespero se suicidaram e que não receberam o apoio psicológico que deviam. Devia haver um mecanismo para isso. Tem havido dificuldades. Ninguém me convence de que não há responsabilidades. O Estado falhou e continua a falhar."
A declaração do líder do PSD desencadeou de imediato uma tempestade de críticas no espaço público. E nessa altura nem era claro se se confirmava mesmo - ou não - a existência de um (ou mais) suicídios na sequência do incêndio (que provocou 64 mortos e mais de duas centenas de feridos).
"Corram com os boateiros!"
A PJ não confirmava, a GNR de Leiria também não, o presidente da Administração Regional de Saúde do Centro, José Tereso, idem. Já o presidente da Câmara de Pedrógão, Valdemar Alves - eleito pelo PSD mas agora recandidato pelo PS - desmentia duramente, falando à RTP: "Há sim é boatos, os mais diversos boatos. Peço às pessoas que não aceitem, corram com os boateiros, porque graças a Deus não há nenhuma confirmação de suicídios." Antes dos desmentidos - ou não confirmações -, um deputado do PSD eleito por Santarém, Duarte Marques, insistia, numa conversa online: "É verdade." Ao mesmo tempo acrescentava um suave reparo: "Eu não o teria dito em público."
"Não pode valer tudo!"
O PS começou imediatamente a atacar o líder do PSD. António Costa procurou colocar-se acima da polémica ("não vou estar aqui a entrar em debate com o líder da oposição, nem creio que seja isso que os portugueses esperam do governo" e "neste momento não vou contribuir com polémicas, [porque] não tenho teses, não tenho pontos de vista") e centrar-se na necessidade de esclarecimento do que se passou ("isto é fundamental porque temos de apurar todas as questões relativas a este acidente, primeiro porque o devemos à memória daqueles que faleceram, ao respeito que temos de ter pelas famílias e amigos das vítimas, e também porque temos esse dever com as populações daquele território e para todo o país. É preciso saber o que se passou para que, de futuro, não volte a acontecer").
Contudo, outros socialistas fizeram por ele as despesas dos ataques a Passos. No Facebook, a secretária-geral adjunta do partido, Ana Catarina Mendes, considerava "inqualificável que um ex-primeiro-ministro difunda um boato com esta gravidade! Não pode valer tudo! Mais respeito pelas vitimas e pelas famílias!" Inúmeros outros comentários do género, vindos da esquerda, foram-se multiplicando pelas redes sociais ao longo do dia.
A profusão de desmentidos à informação do suicídio obrigou o PSD a esclarecer-se. Quem deu a informação falsa ao líder do partido teve de dar o passo em frente. Foi João Marques, provedor da Misericórdia de Pedrógão e, além disso, candidato do PSD à câmara (de que aliás foi presidente durante 16 anos, até 2013. "Fui eu que dei ao Dr. Passos Coelho uma informação errada. Julguei que a informação era fidedigna e afinal não era. Felizmente não se confirma nenhum suicídio, ao contrário do que eu disse ao Dr. Passos Coelho. Peço-lhe desculpas públicas por isso", disse, ao Expresso.
PSD questiona Saúde
E depois disto só restou a Passos Coelho fazer o mesmo, ao final da tarde, quando entrava para a cerimónia de apresentação do candidato do PSD a Odivelas (ver foto): "Peço desculpa por ter utilizado uma informação que não estava confirmada." Ao mesmo tempo, reafirmava, no entanto, o que considerava ser "o essencial": "Temos hoje a confirmação clara de que o Estado falhou quando tantas pessoas perderam a vida como perderam, era muito importante que houvesse um mecanismo rápido de reparação." Ou seja: "Independentemente da culpa ou da responsabilização política, há uma responsabilidade objetiva do Estado." Enquanto isto, no Parlamento, o PSD divulgava um requerimento de oito dos seus deputados questionando o Ministério da Saúde sobre o apoio psicológico às populações, dado que "tem sido manifesta a insuficiência de recursos humanos".
O ministro da Saúde, pelo seu lado, assegurava que vai ser prestado apoio psicológico às populações afetadas pelos incêndios na região centro, além dos 840 atendimentos já efetuados, bem como outros tipos de cuidados de saúde.
Falando à margem da apresentação do futuro Hospital de Proximidade de Sintra, Adalberto Campos Fernandes dizia que esteve em contacto no fim de semana com o presidente da ARS, que se encontra a trabalhar com os centros hospitalares Universitário de Coimbra e de Leiria para ajustar a resposta às necessidades das populações. "A ARS [Administração Regional de Saúde] está a rever o que foi feito, até aqui eu sei, tenho conhecimento de que foram já feitos neste processo mais de 840 atendimentos pelas diferentes equipas de psicologia", garantia.
Misericórdia de Lisboa ajuda
A este serviço junta-se ainda o auxílio de duas técnicas da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), que vão estar na zona de Pedrógão durante todo o verão. "Até 31 de agosto, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa vai continuar a providenciar apoio psicológico com duas técnicas, que estarão no terreno dois dias por semana, sempre em coordenação com os serviços da Câmara Municipal de Pedrógão Grande e da Proteção Civil", adiantou a SCML ao DN.


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