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sábado, 5 de agosto de 2017

OS SENHORES DO RUBRO OURO


OS SENHORES DO RUBRO OURO
Os rostos da multidão
Nem sempre
Os vejo entre a multidão
Por vezes
Apenas o recorte assustado e ondulante
Da multidão
Tanto medo, tanta culpa
A Ilusão de Maya
Os Sonhos
Feitos Pesadelos
Pelo Sinistro Governo Secreto
Que espreita
Se esconde
Nos noticiários das estações de TV
Agora editados
Em tradução simultânea
Nas 19433 Línguas de Babel
As sombras do fim de tarde
Mimetizam
As sombras do início do dia
Ou antes
Do fim da noite
Os rostos são iguais
Decalcados uns sobre os outros
Não há mais homens
Nem mulheres
Todos são da mesma idade
Pois já perderam
Também as idades
Por vezes
Apenas duas crianças
Translúcidas em luz cristal
Sobreviventes da Grande Onda Programada
Mostram
Em labaredas clandestinas
De sol radiante
A password de apagamento
Do software
Que gera
Em tempo contínuo
Os escravos sempre gratos
Aos Senhores do Rubro Ouro
Gabriel Micaeerton Tarmesus
Tela “Os Falcões” (1912), de Amadeo de Souza Cardoso (14 de Novembro de 1887 – 25 de Outubro de 1918)

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