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domingo, 23 de julho de 2017

ALGARVE HISTÓRIA - 24 de Julho de 1833, o dia em que o Camacho comandou o “massacre” de Loulé


Há 180 anos era Portugal vivia numa situação de guerra civil



Na verdade, a primeira metade do século XIX foi dramática para os portugueses. Das Invasões Francesas até à Regeneração, em 1851, o país passou por revoltas e contrarrevoltas, como a guerra civil, de 1832 a 1834, e depois a Maria da Fonte e a Patuleia, já na década de 1840. No Algarve, entre 1834 e 1842, houve ainda a Guerrilha de Remexido a semear o pânico e o terror pela região.
O massacre de Loulé, em 24 de Julho de 1833, enquadra-se na guerra civil, que opunha os adeptos de D. Miguel, convictos dos ideais absolutistas, aos de D. Pedro, que defendiam o liberalismo e com ele a separação de poderes (judicial, executivo e deliberativo), assentes numa constituição.
Ambos eram irmãos, filhos de D. João VI e de D. Carlota Joaquina. Aquando o regresso da família real do Brasil, para onde se retiraram em 1807 na sequência das Invasões Francesas, D. Pedro, o primogénito, manteve-se naquele reino, vindo a declarar a sua independência em 1822.
Recorde-se que a família real foi intimada a regressar a Portugal na sequência da Revolução Liberal, que eclodiu no Porto em 24 de Agosto de 1820. Sublevação que, ao contrário de Portimão, Faro ou Castro Marim, foi desaprovada em Loulé.
A Câmara e demais autoridades da vila, reunidas a 6 de Setembro de 1820, não só condenaram o movimento, como qualificaram de infame a cidade do Porto, que estava “sublevada por castigo do Céu”, e ainda consideraram ilegítimo o “governo estabelecido naquela desgraçada cidade”.
A emancipação do Brasil promovida por D. Pedro, que logo se intitulou imperador, foi estigmatizada pela maioria dos portugueses, que viam desvanecer a “joia da coroa”.
Por outro lado, D. Miguel entrara, desde 1823, na sequência da Vilafrancada, em rota de colisão com D. João VI, por defender o regime absoluto, em oposição ao constitucional, vindo a ser exilado em Viena de Áustria em 1824, após nova tentativa de golpe de Estado (Abrilada).
Com a morte de D. João VI em 1826, estava aberta a querela sobre quem deveria ocupar o trono: o primogénito D. Pedro, imperador do Brasil, que havia promovido a cisão do reino, ou D. Miguel, o exilado?
D. João VI terá indicado D. Pedro para seu sucessor, o qual abdicou a favor de sua filha, que deveria casar com o tio D. Miguel, ficando este regente até à sua maioridade.


D. Pedro IV
D. Pedro outorgou ainda a Carta Constitucional, dado que a Constituição de 1822 se encontrava suspensa desde a Vilafrancada. D. Miguel concordou com o plano traçado pelo irmão, contudo, pouco depois de regressar a Portugal em 1828, intitulou-se rei absoluto, correspondendo aos desejos de uma franja considerável de portugueses, enquanto muitos outros emigraram em massa para a Europa, escapando às execuções sumárias e ao terror miguelista (foram presas e degredadas milhares de pessoas).
Nesta sequência, D. Pedro vem a abdicar de imperador do Brasil no seu filho D. Pedro II e parte para a Europa em 1831, para tentar restituir o trono de Portugal a sua filha, usurpado por D. Miguel.
Estabelecido nos Açores, D. Pedro vai rumar ao norte, ocupando a cidade do Porto com um exército de cerca de 8 000 homens, apoiados em 50 navios.
O cerco do Porto, como ficaria conhecido, mantém-se durante um ano, sem vantagens para qualquer beligerante.
Com renovado apoio da Grã Bretanha, os liberais optam por enviar, numa esquadra, uma expedição até ao Algarve, com 2 500 homens dirigidos pelo duque da Terceira. Homens que deveriam posteriormente rumar para a capital do reino, proclamando aí D. Maria como rainha legítima de Portugal.
O desembarque ocorreu nas imediações da Altura em 24 de Junho de 1833, tendo, nos dias seguintes, o liberalismo sido aclamado na região com relativa facilidade, bem como nomeadas as novas autoridades civis e militares.
As tropas absolutistas remeteram-se a uma prudente expectativa, não interferindo nas movimentações liberais. A 13 de Julho, o duque da Terceira deixava a região, via terrestre, rumo a Lisboa.
Com a saída do exército liberal, as forças absolutistas concentraram-se em Almodôvar, onde foram divididas pelos chefes absolutistas Remexido e Camacho, que tinham por objetivo colocar em marcha a contraofensiva miguelista.
Assim, o primeiro deveria aclamar o rei D. Miguel em todas as localidades do Barlavento algarvio, enquanto Camacho tinha a mesma missão no Sotavento.
A 24 de Julho, o duque da Terceira entrava triunfalmente em Lisboa. Os liberais detinham não só o Porto, como, a partir de agora, também a capital.



D. Miguel
Nesse mesmo dia Camacho, ou melhor, o major André Camacho Jorge Barbosa investia sobre Loulé, que, em oposição, caía para os miguelistas, “debaixo da rasoira de um banho de sangue absolutamente inadmissível, bárbaro e desumano”, nas palavras do professor Vilhena Mesquita.
Também Remexido avançava sobre Albufeira por aqueles mesmos dias, porém, se aqui é possível descrever com minúcia o que se passou, a partir da “Memória dos Desastrosos Acontecimentos de Albufeira”, o mesmo não sucede com Loulé. Ainda assim, apoiados na “Monografia de Loulé”, de Ataíde Oliveira, datada de 1905, tentaremos revisitar aquele fatídico dia.
Camacho concentrara-se na serra do Algarve, onde arregimentara com facilidade homens para a sua guerrilha. Ao sucesso do recrutamento, parece não ter sido alheia a repulsa das gentes daqueles lugares aos distúrbios provocados por alguns louletanos e soldados franceses, dias antes, na igreja de Salir.
Chegados à aldeia, não só causaram alguma confusão, como invadiram a igreja, onde simularam uma luta com as imagens sacras, degolando-as, vertendo e pisando ainda as hóstias da píxide.
Tal atitude revoltou os salirenses, que terão movido perseguição aos transgressores, porém sem os capturarem. A notícia do vexatório acontecimento espalhou-se rapidamente pelos habitantes circunvizinhos, que, insultados nas suas convicções, juraram vingar-se.
O alistamento na guerrilha de Camacho veio a proporcionar a desejada retaliação. Não obstante ter surgido em Loulé a notícia da composição de uma horda na região da Quinta do Freixo, que tencionava invadir a vila, ela foi negligenciada.
Na noite de 23 de Julho, terão chegado a Loulé cerca de 3 000 guerrilhas. O plano traçado pelo major consistiu em cercar toda a povoação durante a escuridão, para que, na manhã seguinte, quando se efetuasse a ofensiva, ninguém se evadisse.
Ainda assim, um tiro acidental terá permitido a um louletano prudente evadir-se para Faro, numa altura em que o cordão ainda permanecia aberto.
Sobre o ataque escreveu Ataíde Oliveira:
“Quando a villa acordou do seu somno da indolencia, viu-se cercada. Seguiu-se a hecatombe. Então uns guerrilhas de fóra com uns compadres de dentro começaram o assalto. Houve um pequeno tiroteio. Beijaram o chão da morte, em combate e assassinados, trinta soldados francezes; e os outros retiraram para Faro. Começou então a matança; e viu-se que eram ruins os guerrilhas de fóra não eram menos infames os guerrilhas de dentro. O compadre rico e credor era assassinado pelo compadre devedor. Assassinava-se ao mesmo tempo que os assassinos davam vivas á santa religião.”

A chacina ocorreu nas ruas da Corredoura (atual rua Eng. Duarte Pacheco), de Santo António (Miguel Bombarda), da Barbacã, frente às Bicas Novas (largo Dr. Bernardo Lopes), junto à sacristia, mas também na casa das vítimas, onde os guerrilhas entravam e tudo devassavam, ou ainda em locais onde haviam procurado refúgio, como quintais ou mesmo numa pocilga.
A tiro, com um chuço ou à paulada, torturados e queimados, não se olharam a meios para atingir os fins. O número exato de mortos é variável consoante a fonte.
Ataíde Oliveira menciona 30 soldados franceses, para depois enumerar, com base num processo instruído em 1835 pelo Ministério Público, mais 32 vítimas.




Algumas das vítimas do massacre no Livro de Óbitos de Loulé (Arquivo Distrital de Lisboa)
No Livro de Óbitos da paróquia de Loulé, nos dias 24 e 25 de Julho, encontram-se registados 28 mortos, com a anotação de terem perdido a vida “no combate”.
Destes nenhum é francês e embora existam quatro sem identificação, por o pároco a ignorar, os dados disponíveis indiciam serem portugueses.
Entre outros, encontram-se registados os óbitos do juiz de Fora, do seu escrivão, do prior de Loulé, do alcaide, um capitão, um alferes ou ainda um espanhol, residente na vila.
A violência aquietou nos dias seguintes, mas não cessou, existindo mais oito assentos, de pessoas assassinadas até 5 de Agosto, entre elas uma mulher, morta, na rua e atirada para uma estrumeira.
Três anos depois, em 1836, a Câmara de Loulé calculava em 49 o número total das vítimas. Número que incluiria, certamente, alguns indivíduos conduzidos com o pretexto de julgamento para os subúrbios da vila, onde eram fuzilados e sepultados sem qualquer registo, uma prática muito comum na época.
Proclamado D. Miguel entre os louletanos, o major Camacho nomeava e dava posse à nova vereação da Câmara de Loulé, três dias depois, a 27 de Julho de 1833, agora fiel a este monarca. Na região, nos meses seguintes, somente Faro, Olhão e Lagos não caíram em poder dos absolutistas.
Com a vitória definitiva do Liberalismo, expressa na Convenção de Évora Monte, em 24 de Maio de 1834, foram instituídos um pouco por todo o país diversos requerimentos indemnizatórios, pelos lesados da “usurpação”.




Em Loulé, foram apresentados cerca de 30 processos relativos aos danos que os peticionários declaravam ter sofrido aquando da investida sobre a vila, em 24 de Julho de 1833.
A entrada nas habitações era acompanhada quase sempre pela destruição completa do seu recheio. Letrados, proprietários ou negociantes eram geralmente as vítimas, fosse pela sua conotação liberal, ou no caso dos comerciantes pelos seus clientes caloteiros.
O capitão e negociante José Rafael Pinto foi um dos requerentes, apresentando a sua relação divida em quatro tópicos principais: “Géneros”; “Mobília”; “Pratas e Ouro”; e “Miudezas”.
Na categoria dos “Géneros”, inscreveu quantidades variáveis de cereais, mas também 20 arrobas de carne de porco, duas barricas de atum, vinho, aguardente, vinagre, palha, alfarrobas, amêndoa, figos, frutas frescas e até mesmo alfaces.
Na “Mobília”, arrolou cadeiras, canapés (com a menção que os havia adquirido em Lisboa e no Porto), mesas, cómodas, tabuleiros, tábuas de tender, leitos, arcas, um oratório, fechaduras, portas, etc.
Em “Pratas e Ouro”, inventariou, por exemplo, diversas peças em prata de um faqueiro, resplendores, uma palma, dedais, um objeto com as armas reais, já em ouro, brincos de palma com diamantes, um cordão, anéis e alfinetes e, talvez o mais surpreendente, uma medalha do “usurpador” D. Miguel.
Por fim, nas “Miudezas”, entraram as panelas, chapéus de sol de homem e senhora, canastras, redes de esparto, 16 galinhas mouras e oito dúzias de pentes de alisar, entre outros objetos.
A tudo isto, José Rafael Pinto adicionava 300$000 reis dos lucros que deveria ter auferido com o seu negócio, durante o ano em que esteve emigrado em Faro.
É possível que José Pinto seja o indivíduo que fugiu de Loulé, na noite de 23 de Julho. Certo é que o mesmo terminava a sua relação pedindo 4 872$870 reis de indemnização, uma fortuna para a época.
Porém, como diz o velho adágio popular, “no pedir não haja engano”, foi seguramente o caso. Mas se José Rafael Pinto podia fazer valer os seus direitos, foram cerca de meia centena os que pagaram com a vida os ideais que defendiam, ou tão simplesmente por estarem na hora e local errados, ou ainda por meros ajustes de contas entre vizinhos e “amigos”.





O massacre de Loulé, executado por Camacho, e a chacina de Albufeira, comandada por Remexido, constituíram o auge do terror da guerra civil no Algarve.
Quanto aos cabecilhas, o major Camacho evadiu-se em Setembro de 1834 para o Brasil, enquanto Remexido se manteria na região, vindo a ser fuzilado, em Faro, depois de formar uma nova guerrilha, entre 1836 e 1838.
Camacho, por sua vez, regressaria, anos mais tarde, a Portugal, vindo a gozar de uma vida normal. Se na verdade estava amnistiado pelos crimes praticados durante a guerra civil, não faltaram exemplos, nos anos imediatos ao término desta, em que esse perdão não foi respeitado. A evasão salvou-lhe a vida, sorte que não tiveram os louletanos assassinados no ataque por si perpetrado, em 24de Julho de 1833.
Então em Portugal, hoje na Síria, 188 anos depois, a humanidade “desenvolvida” continua a impor ideias e ideais em cruéis e sangrentas guerras civis.

Para saber mais:
– Francisco Xavier de Ataíde Oliveira, Monografia do Concelho de Loulé, 4ª edição, Algarve em Foco, 1998.
– José Carlos Vilhena Mesquita, “O Remexido e a Resistência Miguelista no Algarve”, Al-‘ulià – Revista do Arquivo Municipal de Loulé, n.º13, 2009.


Autor: Aurélio Nuno Cabrita, engenheiro de ambiente e investigador de história local e regional, colaborador habitual do Sul Informação



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Os dez deputados a maioria é do PSD que não abriram a boca no último ano



No último ano de sessão legislativa, houve dez deputados de quem não se ouviu perguntas ou intervenções nas sessões plenárias da Assembleia da República (AR).

A maioria é do PSD, sendo que há três parlamentares que não abriram a boca desde que foram eleitos, em outubro de 2015: o socialista Miranda Calha e os sociais-democratas Rui Silva e Pedro Pinto.
Se alguns admitiram, ao JN, que não intervieram por opção própria ou devido à gestão dos tempos e da visibilidade dada aos estreantes, decidida pelas direções das bancadas; outros alegaram que há uma "asfixia" imposta pela maioria de Esquerda ao debate.
De acordo com dados da AR, apenas o PS e o PSD tiveram deputados silenciosos nos plenários. Do lado socialista, contam-se Fernando Jesus, eleito pelo Porto há 22 anos, e Miranda Calha, parlamentar desde 1976 e que não se faz ouvir há dois anos.
Pelo PSD, a lista é extensa. Eleito estreante pelo círculo de Braga, Rui Silva não interveio nesta sessão legislativa, nem na anterior. O mesmo aconteceu com Pedro Pinto, deputado desde 1980 e presidente do Conselho de Administração do Parlamento. "Não falei por opção. Sinto que há um trabalho nos bastidores que me absorve e que não é visível", assegurou Pedro Pinto, ao JN.

Na lista laranja, seguem-se o secretário-geral do PSD, José Matos Rosa, que não profere uma palavra desde abril de 2016, e o ex-ministro da Defesa José Pedro Aguiar Branco, que só interveio na sessão de 2016, no debate do Estado da Nação.

Contam-se também os deputados José António Silva, eleito por Leiria, e Isaura Pedro, de Viseu. Ambos só ligaram o microfone para informarem a mesa da entrega de declarações de votos - que chegam à mesa do Parlamento por escrito. A zeros está ainda Ana Oliveira, de Coimbra, mas que conta com o facto de só ser deputada efetiva desde abril deste ano.

Por último, a ex-ministra da Justiça Paula Teixeira da Cruz, em quem o PSD apostou para discursar na sessão comemorativa do 25 de Abril, em 2016. O Parlamento indica que só há duas gravações, de alguns segundos, em que trocou algumas palavras com a mesa do Parlamento, sem que tal configure uma pergunta ou intervenção: uma foi para criticar o presidente da AR pela condução dos trabalhos, e, outra, quando pediu a distribuição de fotocópias pelas bancadas da Esquerda.

"Há um enorme condicionamento democrático no debate, onde tudo é permitido às bancadas da maioria: ofensas, gritos e desconsiderações. Contra isto, tenho lavrado o meu descontentamento", denunciou Teixeira da Cruz ao JN, garantindo ter muito trabalho produzido, em sede da comissão parlamentar. "Não contem comigo para fazer uma política que não dignifica o regime democrático e contra uma verdade ditatorial que se instalou."

Outros dois deputados, ao JN, apontaram às direções das suas bancadas a razão do seu silêncio. "Aposta-se sempre nos mesmos", disse um deles. O social-democrata Firmino Pereira, que esteve um ano e meio sem intervir, tendo-o feito a 14 de junho, corrobora este motivo. "Não se dá espaço a novos deputados para terem um papel mais ativo", explicou.


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FARO A MECA DOS MOTARDS - VÍDEOS - REPORTAGEM E DESFILE




A viagem é boa se acaba em Faro, feita por motores entre duas rodas vindas de todo o mundo.
Este ano, cerca de 15 mil motards voltaram a juntar-se numa das maiores concentrações europeias de quem gosta e faz das motas e do mundo que lhe está agregado um modo de vida.
Motores a descansar à sombra dos pinheiros, tal como quem os conduz, tendas montadas e banhos tomados e a trigésima sexta concentração motard de Faro garantiu mais uma vez um dos lugares cimeiros entre a comunidade motorizada. Um dos frequentadores da iniciativa do Moto Club de Faro explica por que é que estes 3 dias (20 a 23 de julho) são preciosos:
“Porque é que é tão importante vir a Faro? Acho que para quem gosta de motos, se não se vem a Faro, não se é motoqueiro. Eu tenho de desligar: há problemas quotidianos, de família, de trabalho e tu dizes: vou a Faro. Porquê? Porque ali estou bem e esqueço-me do mundo.”
O recinto de Vale de Almas, com 400 mil metros quadrados, estrategicamente localizado entre o Aeroporto Internacional de Faro e a praia almejada, acolheu a maior parte dos espetáculos musicais, de striptease e de motos, mas a capital algarvia sentiu a festa dos motores na baixa, onde a animação foi visível.
As autoridades reforçaram a vigilância na cidade e na zona da concentração, para evitar excessos e controlar o trânsito nas imediações, tendo o evento decorrido sem acidentes graves.
A Meca dos motards no litoral sul português, com o ronronar dos motores este domingo a anunciar vigor renovado para 2018.

VÍDEOS
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FOTOS HISTÓRICAS ANTES DO REBENTAR DA 2ª GUERRA MUNDIAL

Os anos que antecederam a declaração de guerra entre o Eixo e os Aliados, em 1939, foram tempos tumultuosos. A Grande Depressão começara uma década antes, deixando grande parte do mundo desempregado e desesperado. O nacionalismo varria a Alemanha, humilhada com as medidas punitivas do Tratado de Versalhes impostas pelos vencedores da Primeira Guerra Mundial. A China e o Império do Japão estavam em guerra desde que as tropas japonesas invadiram a Manchúria, em 1931. Alemanha, Itália e Japão testavam a recém-fundada Liga das Nações com várias invasões e ocupações de países vizinhos, sentido-se encorajados com a indiferença das potências da época.
A Guerra Civil Espanhola começara em 1936, tornando-se uma espécie de ensaio para a próxima Guerra Mundial - Alemanha e Itália apoiaram os rebeldes nacionalistas liderados pelo general Francisco Franco, e cerca de 40.000 estrangeiros viajaram para a Espanha para lutar ao lado das forças legalistas, no que eles viam como o guerra mais ampla contra o fascismo. Nos últimos anos pré-guerra, a Alemanha nazista abria o caminho para o conflito: rearmamento, a assinatura de um tratado de não-agressão com a URSS, a anexação da Áustria e a invasão da Checoslováquia.

Enquanto isso, os Estados Unidos aprovavam vários Atos de Neutralidade, tentando evitar envolvimentos em assuntos estrangeiros, uma vez que cambaleavam diante da Depressão e dos anos do Dust Bowl. Abaixo está apenas um vislumbre de alguns desses eventos que antecederam a Segunda Guerra Mundial.

Adolf Hitler, aos 35 anos de idade, em sua libertação da prisão Landesberg, em 20 de dezembro de 1924. Hitler havia sido condenado por traição por seu papel em uma tentativa de golpe em 1923 chamado Putsch da Cervejaria. Esta fotografia foi tirada pouco depois dele ter terminado de ditar "Mein Kampf" ao deputado Rudolf Hess. Oito anos mais tarde, Hitler seria empossado  Chanceler da Alemanha, em 1933.

Um soldado japonês fica de guarda sobre a Grande Muralha da China, capturada em 1937, durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa. O Império do Japão e a China estavam em guerra intermitente desde 1931, mas o conflito se intensificou em 1937.

Aviões japoneses realizam um ataque a  alvos na China em 1937.

Soldados japoneses envolvidos em combates em Xangai, na China, em 1937. A batalha de Xangai durou de agosto a novembro de 1937 e envolveu cerca de um milhão de soldados. No final, Xangai caiu para o japoneses, depois de mais de 150 mil vítimas entre militares e civis.

Primeiras fotos da ocupação japonesa de Pequim, na China, em 13 de agosto de 1937. Sob a bandeira do sol nascente, as tropas japonesas são mostradas marchando na cidade chinesa através do portão principal que leva a frente dos palácios da Cidade Proibida. A poucos passos de distância se encontra a embaixada americana, onde os residentes americanos de Pequim reuniram-se quando as hostilidades sino-japonesas estavam em seu pior momento.

Japoneses executam com baionetas os soldados chineses capturados; nas bordas da vala comum, soldados japoneses acompanham o cruel espetáculo.

O general chinês Chiang Kai-shek ( direita ), com a General Lung Yun, presidente do governo da província Yunnan, em Nanquim, em 27 de junho de 1936.

Em 05 de fevereiro de 1938, uma mulher chinesa observa os cadáveres de seus parentes, mortos durante a ocupação japonesa de Nanquim, vítimas de atrocidades nas mãos de soldados japoneses.

Sacerdotes budistas do Templo Sensō-ji treinam para a Segunda Guerra Sino-Japonesa, eles usam máscaras de gás durante o treinamento preparando-se para os vindouros ataques aéreos em Tóquio, Japão, em 30 de maio de 1936. 

O líder fascista italiano Benito Mussolini, centro, com as mãos nos quadris, com os membros do Partido Fascista, em Roma, Itália, em 28 de outubro de 1922, após a  marcha sobre Roma. Esta marcha foi um ato de intimidação, onde milhares de camisas negras fascistas ocuparam posições estratégicas em grande parte da Itália. Após o episódio, o rei Vítor Emanuel III pediu que Mussolini formasse um novo governo, abrindo caminho para a ditadura.

Soldados italianos  na Etiópia em 1935, durante a Segunda Guerra Ítalo-Abissínia. As forças italianas sob Mussolini invadiram e anexaram a Etiópia, transformando-a em uma colônia chamada África Oriental Italiana, juntamente com a Eritréia.

Tropas italianas hasteiam a bandeira italiana em Macalle, Etiópia, em 1935. Os apelos de ajuda do imperador Hailê Selassiê à Liga das Nações não tiveram resposta e a Itália ficou  livre para fazer o que lhe agradava na África Oriental.  

Na Espanha,  soldados legalistas  ensinam as mulheres a usar armas, elas  ajudariam a defender a cidade de Barcelona contra as tropas rebeldes fascistas do general Francisco Franco durante a Guerra Civil Espanhola, em 2 de junho de 1937. 

Três centenas de rebeldes fascistas foram mortos nesta explosão em Madrid, Espanha, ocorrida  no  prédio da  Casa Blanca, em 19 de março de 1938. Apoiadores do  governo legal cavaram um túnel de 600 metros ao longo de seis meses para plantar as bombas  que causaram a explosão.

Um combatente rebelde joga uma granada de mão sobre uma cerca de arame farpado  em soldados legalistas  em Burgos, Espanha, em 12 de setembro de 1936.

Bombardeiros alemães Stuka, parte da Legião Condor, em voo nos céus da Espanha em 30 de maio de 1939, durante a Guerra Civil Espanhola. O  "X" na cauda e asas é a Cruz de Santo André, a insígnia da Força Aérea Nacionalista de Franco. A Legião Condor era composta por voluntários do Exército Alemão  e da Força Aérea Alemã -  a  Luftwaffe.

Dezenas de famílias buscam  refúgio  no subterrâneo, em uma plataforma do metrô de Madrid, em 9 de dezembro de 1936, a cidade acima está sendo bombardeada pelos aviões rebeldes de Franco.

Bombardeio aéreo de Barcelona em 1938 pela Força Aérea Nacionalista de Franco. A Guerra Civil Espanhola viu alguns dos primeiros exemplos do uso extensivo de bombardeamento aéreo de alvos civis, e também o desenvolvimento de novas técnicas de bombardeio, cujo objetivo era espalhar o terror na população.

Após um ataque aéreo em Madrid de 16 aviões rebeldes de Tetuan, Marrocos espanhol, parentes dos desaparecidos apelam por notícias de seus entes queridos, 8 de janeiro de 1937. Os rostos destas mulheres refletem os horrores que os civis sofreram na luta civil espanhola.

Um rebelde espanhol que se rendera é levado a uma corte marcial sumária, com voluntários da frente popular e guardas civis a zombá-lo, 27 de julho de 1936, em Madrid, Espanha.

Dois jovens fascistas com uma metralhadora, apoiados por atiradores experientes com rifles, mantem  posição ao longo da frente Huesca, região acidentada no norte da Espanha, em 30 de dezembro de 1936.

Prometendo solenemente à nação o seu melhor esforço para manter o país neutro, o presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt   se dirige à nação pelo rádio a partir da Casa Branca, em Washington, no dia 03 de setembro de 1939. Nos anos que antecederam a guerra, o Congresso dos EUA aprovou vários Atos de Neutralidade, comprometendo-se a permanecer (oficialmente) fora do conflito.

Riette Kahn  ao volante de uma ambulância doada pela indústria do cinema americano para o governo espanhol, em Los Angeles, Califórnia, em 18 de setembro de 1937. A Hollywood Caravan To Spain percorreu os EUA arrecadando fundos para "ajudar os defensores da democracia espanhola" na Guerra Civil Espanhola. 

Dois nazistas americanos  na porta de seu escritório em Nova York, em 1 de Abril de 1932, a sigla "NSDAP" significa: Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, ou, em português: Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores, normalmente abreviado para apenas "Partido Nazista".

O rancho prestes a ser engolido por uma gigantesca nuvem de poeira se localizava em Boise City, Oklahoma, onde o solo permaneceu seco e estéril durante os anos do Dust Bowl, no centro da América do Norte. Seca severa, técnicas agrícolas incorretas e tempestades devastadoras tornaram milhões de hectares de terras agrícolas inúteis. Esta foto foi tirada em 15 de abril de 1935.

Florence Thompson com três de seus filhos em uma fotografia conhecida como "Mãe Emigrante". Esta famosa imagem faz parte de uma série de fotografias que a fotógrafa Dorothea Lange fez de Florence Thompson e seus filhos, no início de 1936 em Nipomo, Califórnia.

zepelim Hindenburg flutua passando pelo Empire State Building, Manhattan, em 8 de agosto de 1936. O dirigível alemão estava a caminho de Lakehurst, New Jersey, vindo da Alemanha. O Hindenburg viria a explodir em uma bola de fogo espetacular acima de Lakehurst em 6 de maio de 1937. 

A Inglaterra temia ter que passar por um ataque de gás, então preparava a população com zelo redobrado,  em 16 de março de 1938, 2.000 voluntários em Birmingham vestiram máscaras de gás e passaram por um treinamento minucioso. Estes três bombeiros estavam totalmente equipados, de botas de borracha à máscaras,  prontos para o simulado ataque com gás.

Adolf Hitler, da Alemanha e Benito Mussolini, da Itália, cumprimentam-se  no aeroporto de Veneza, Itália, em 14 de junho de 1934.

Quatro  nazistas cantam na frente da filial de Berlim da loja Woolworth Co., durante o movimento para boicotar a presença judaica na Alemanha, em março de 1933. Os hitleristas acreditavam que o fundador da Woolworth Co. fosse israelita.

O estande nazista em uma exposição de rádio que começou em Berlim em 19 de agosto de 1932.  

Milhares de jovens se reuniram para ouvir  as palavras de seu líder, Adolf Hitler, quando ele discursou na convenção do Partido Nacional-Socialista em Nuremberg, Alemanha, em 11 de setembro de 1935.

Adolf Hitler é saudado em passeata pelas ruas de Munique, Alemanha, em 9 de novembro de 1933, durante a celebração do 10 º aniversário do movimento nacional-socialista.

A  Juventude Hitlerista honra um soldado desconhecido, formando a suástica, em 27 de agosto de 1933, na Alemanha.

O exército alemão demonstrou sua força diante de mais de um milhão de pessoas de todo o país durante o festival da colheita em Bückeburg, perto de Hanover, na Alemanha, em 4 de outubro de 1935. Aqui estão dezenas de tanques alinhados antes do festival começar. Desafiando as disposições do Tratado de Versalhes, a Alemanha começou a rearmar-se a um ritmo alucinante logo após Hitler chegar ao poder em 1933.

Milhares de alemães participam do grande Encontro Nacional Socialista em Berlim, Alemanha, em 9 de Julho de 1932.

Um grupo de meninas alemãs perfiladas para aprender cultura musical sob os auspícios do Movimento da Juventude Nazista, em Berlim, Alemanha, em 24 de fevereiro de 1936

Hitler discursa na convenção do partido nazista, em Nuremberg, Alemanha, em 10 de setembro de 1935.

O americano Jesse Owens, no alto do pódio, na entrega da sua medalha de ouro no salto em distância, em 11 de agosto de 1936, depois de derrotar o atleta  alemão Lutz Long, à direita, nos Jogos Olímpicos de Verão de 1936, em Berlim. Naoto Tajima do Japão, à esquerda, ficou em terceiro. Owens triunfou no atletismo em Berlim com quatro medalhas de ouro: nos 100 metros e 200 metros rasos, salto em distância e no revezamento de 400 metros. Ele foi o primeiro atleta a ganhar quatro medalhas de ouro em uma única Olimpíada.

O primeiro-ministro britânico Sir Neville Chamberlain, em seu retorno  das conversas com Hitler na Alemanha, no aeródromo de Heston, em Londres, Inglaterra, 24 de Setembro de 1938. Chamberlain trouxe com ele os termos do plano que  mais tarde veio a ser chamado Acordo de Munique, que, em um ato de apaziguamento, permitiu que a Alemanha anexasse os Sudetos da Checoslováquia.

Membros da Juventude Nazista participam na queima de livros, ( Büecherverbrennung ), em Salzburgo, na Áustria, em 30 de abril de 1938. A queima pública de livros  condenados como pouco-alemães ou judeu-marxistas, era uma atividade comum na Alemanha nazista.  

A ginástica em massa era a principal atração do "Dia da Comunidade", em Nuremberg, Alemanha, em 08 setembro de 1938,  Adolf Hitler assistiu às atividades no campo Zeppelin. 

Janelas de lojas pertencentes a judeus  foram quebradas durante uma manifestação anti-judaica coordenada em Berlim, conhecida como Kristallnacht, em português: A Noite dos Cristais, em 10 de novembro de 1938. As autoridades nazistas fecharam os olhos quando os soldados da Sturmabteilung ( Destacamento Tempestade ) e civis nazistas  enfurecidos destruíram vitrines à marteladas, deixando as ruas cobertas de vidro. Noventa e um judeus foram mortos e 30.000 homens judeus foram levados para campos de concentração.

Vista de um dos grandes salões das fábricas de armamentos Rheinmetall-Borsig em Duesseldorf, na Alemanha, em 13 de agosto de 1939, onde canhões são o produto principal. Antes de Hitler chegar ao poder, a produção de armamentos na Alemanha podia ser medida em centenas de peças por ano. Com a ascensão do ditador, logo subiu para  dezenas de milhares. Somente em 1944, mais de 25.000 aviões de combate foram fabricados.

A recém-anexada Áustria aguardava a chegada de Adolf Hitler. Cidades foram decoradas e  nomes de ruas foram alterados. Um operário de Viena carrega a nova placa de identificação para uma praça da cidade, renomeando-a "Praça Adolf Hitler " em 14 de março de 1938.
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